terça-feira, 17 de maio de 2011

O tal do “preconceito linguístico”

A autora do livro “Por uma vida melhor”, que foi distribuído pelo MEC recentemente, quer abolir o que ela chama de “preconceito linguístico”. Para tal, ela imagina que o melhor método é dizer que ninguém mais escreve errado, ou seja, que o “certo” e o “errado” devem ser abolidos da escola, em se tratando do uso de nossa língua. A intenção da autora é boa, mas o caminho que ela pega não é útil. E a sua inutilidade vem do uso pouco aconselhável que ela faz do termo “preconceito”.
Preconceito é, em grande parte, pré-conceito. Ou seja, formamos uma noção que não poderia ser chamada de conceito porque é o nosso entendimento apressado e falho de uma pessoa ou situação ou entidade etc. Assim, no caso imaginado pela autora, alguém que visse uma pessoa falando “nóis vortemo com uma baita di uma reiva”, poderia acabar por julgar a capacidade intelectual e, até mesmo, o caráter moral dessa pessoa por conta desse seu uso da língua distante do padrão da norma culta. Isso acontece? Ou é uma invenção da autora do livro? Acontece. E muito.
Como diminuir isso que a autora chama de “preconceito linguístico”? O primeiro passo é não tratar esse tipo de coisa como se fosse algo do mesmo tipo do preconceito contra a mulher ou o negro ou o gay. Essa é a confusão que atrapalha tudo.
Mulheres, gays e negros não vivem apenas segundo uma prática cultural feminina ou homoafetiva ou afrodescendente. Podem viver ou não. Mas, antes de tudo, são pessoas que estão para sempre no mundo como gays, mulheres e negros, mesmo que não se identifiquem com o conjunto de práticas sociais que caracterizam tais grupos. Não há nada de errado em ser o que se é. Quem é mulher é mulher, quem é negro é negro e quem é gay é gay. Desde o negro (ou da mulher ou do gay) que é completamente integrado em práticas que denotam o que se pode chamar de “consciência negra” ao negro que é negro exclusivamente pela cor da pele (e não por adesão a práticas culturais quaisquer), há um ponto em comum: o olhar do outro o vê como negro. E se o olhar do outro acredita que está vendo alguém “errado” por conta de ser negro, o olhar do outro está contaminado por um preconceito, provavelmente um pré-conceito. Nada disso se aproxima do caso da vítima do que a autora do livro em questão chama de “preconceito linguístico”.
Quem usa a língua fora do padrão da norma culta pode expressar uma cultura particular. É o caso das músicas do gênio Adoniran Barbosa, por exemplo. Mas, para que possamos considerar o Adoniran um gênio, temos de ter a garantia de que uma boa parte do nosso povo se expresse correntemente na norma culta. É a existência da norma culta para a maioria que faz com que possamos olhar para o uso da língua do “boêmio meio analfabeto da noite paulistana” como sendo algo do gênio. Em uma São Paulo que não tivesse pessoas bem escolarizadas, em boa quantidade, e falando a nossa língua segundo a norma culta, Adoniran teria divertido muitos, as suas músicas seriam cantadas e curtidas, é claro, mas ele jamais seria considerado um gênio. Cito esse exemplo para mostrar que a cultura que segue a norma culta é que é capaz de apreciar, sem preconceito, o uso de nosso idioma sem levar em conta a norma culta. Portanto, se a autora de “Por uma vida melhor” autoriza as escolas, direta ou indiretamente, a baixar a guarda diante do uso da norma não culta, confundindo os professores sobre “o certo e o errado”, ela acaba tirando da jogada o que queria preservar: a cultura que não segue a norma culta. Ela destrói o que queria proteger.  Ela fere os bastiões de valorização da norma não culta, que são criados pelos que sabem o valor da norma culta.
O problema, portanto, está na naturalização do uso da língua fora da norma culta. Falar “nói num semu tatu” seria natural, faria parte da pessoa, teria de ser respeitado: respeitando essa fala, estaríamos sem preconceito! Mas as coisas não são assim. Não é nada bom tratarmos o usuário de “nói num semu tatu” como quem pode sofrer discriminação e, então, colocá-lo no atual rol dos discriminados sociais, os que sofrem a partir de preconceitos. Isso lhe daria direitos de “oprimido” para além dos males causados pela opressão contra ele. Isso naturalizaria uma prática nada natural. Quem fala sem a norma culta, se é desrespeitado por isso, antes de tudo precisa ter claro o seguinte: no Brasil, posso (ou deveria poder) sair dessa condição em pouco tempo, basta eu aprender a falar corretamente, uma vez que não sou o Adoniran Barbosa e, portanto, não conseguirei ir muito adiante com essa minha fala.
Ninguém tem de aprender a não ser negro, gay ou mulher. Mas é possível aprender a norma culta de um modo, inclusive, a depois avaliar sem qualquer mágoa aqueles que ainda não aprenderam a norma culta. É possível aprender a norma culta para, inclusive, proteger a cultura que não segue a norma culta. Pois dominar ou não dominar a norma culta não é da ordem da natureza, mas da cultura – e a cultura engloba culturas, no plural. Quem não tinha a norma culta e a aprende, não perde a cultura que um dia foi a sua própria, a que incluía falar como o Adoniran. Ao contrário, aprende os mecanismos pelos quais é possível ver tudo e mais um pouco do que Adoniran realmente foi.
Nesse sentido, o que o governo deve fazer não é o incentivo de livros que confundem a vida escolar, mas pagar melhor os professores e lhes dar condições de trabalho para que possam dar o melhor ensino nas escolas públicas. A escola pública tem de ensinar o que fez Adoniran Barbosa e ao seu lado a norma culta, mostrando as diferenças e os ganhos de cada tipo de cultura. A escola pública não ganha nada se os seus livros, ao invés de fazerem isso, se perdem nas antigas confusões avaliativas, as que não sabiam dizer para o professor que ele pode e deve utilizar da boa ideia de dizer, sim, “certo e errado”.

© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ.

Escrevi outro texto sobre o uso da norma culta, não motivado pelo livro em questão: Norma culta, o certo e o errado são relativos e válidos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

SEMINÁRIO LITERATURA INFANTO-JUVENIL


ONDE: Auditório do PAF III - UFBA (Campus de Ondina) - Salvador/BA

QUANDO: 19 de maio

PALESTRA E MESA DE COMUNICAÇÃO

HORÁRIO: 9h às 17h

Inscrição Gratuita:

mandar e-mail para:literaturainfjuvenill@gmail.com

Organização:

Grupo de pesquisa EtniCidades: escritoras/es e intelectuais negras/os 
e afrolatinas/os

domingo, 8 de maio de 2011

Livros e flores - Machado de Assis


Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

              

Eu não sou você. Você não é eu. - Madalena Freire


Eu não sou você
Você não é eu.

Mas sei muito de mim
Vivendo com você.

E você, sabe muito de você vivendo comigo?

Eu não sou você
Você não é eu.

Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava pra você

Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança
Na sua, minha, competição
Na sua, minha, birra birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotência
Na sua, minha, fragilidade doce
Na sua, minha, mudez aterrorizada

E você se encontrou e se viu, enquanto olhava pra mim?

Eu não sou você
Você não é eu.

Mas foi vivendo minha solidão que conversei
Com você, e você conversou comigo na sua solidão
Ou fugiu dela, de mim e de você?

Eu não sou você
Você não é eu.

Mas sou mais eu, quando consigo
Lhe ver, porque você me reflete
No que eu ainda sou
No que já sou e
No que quero vir a ser…

Eu não sou você
Você não é eu.

Mas somos um grupo, enquanto
Somos capazes de, diferenciadamente,
Eu ser eu, vivendo com você e
Você ser você, vivendo comigo.



sábado, 7 de maio de 2011

Feliz dia das mães!


Mãe...
Sinônimo de amor, doação, afeto, de verdade, sem tempo, nem momento... 

Essa é minha pequena homenagem às mães!

Especialmente às minhas duas mamães: Lucineide  e "mainha" Júlia.

Ô, mãe, obrigada por sua presença sempre pontual, tão importante e insubstituível! Te amo!!!
Vovozinhaaaa, amor de minha vida! É bom demais ser sua neta, um dos maiores privilégios do meu pequeno ser.
Amo tu, minha alegria!!!  

Mãe, A Gente se Liga - Marcelo Crivella

Composição : M.Crivella

Mãe
É o calor que sentimos
É a voz que ouvimos
Antes de nascer

Mãe
É a pura amizade
É a maior saudade
Que alguém pode ter

Mãe
É o amor sem medida
É a mão estendida
A nos abençoar

Mãe
É o remédio que cura
Com a doce ternura
De um simples olhar

Mãe
É o coração que sente
O que está dentro da gente
É quem sofre a nossa dor

Mãe
É a alma que não peca
É o rio que não seca
É a fonte do amor

Refrão:
Mãe, minha mãe, minha amiga
Tua voz me consola, Teu colo me abriga
Mãe, minha mãe, minha amiga
A gente se liga desde a sua barriga

Mãe
É o tempero perfeito
É o doce de côco
É o amor, o respeito
A imagem querida
Que até um louco
Carrega no peito

Mãe
É a palmada de amor
Que dói um pouquinho
É o Anjo da Guarda
É o lar, é o ninho
É a luz que ilumina
O nosso caminho

Mãe
É a discussão
Que sempre acaba em perdão
É a briga sem mágoa
É o sabão, é a água
Que lava e consola as tristezas
Do nosso coração

Mãe
É o amor de coruja
Que não vê o defeito
Do filho perfeito
Do seu coração
É a infância querida

É o berço da vida
Onde a gente feliz
Naquele colo tão lindo
Dormia cantando
E acordava sorrindo...

:)

Deus abençoe a minha mãe querida,
Deus abençoe todas as mães!

7 conto no Teatro Castro Alves!


Evento: 7 Conto
Data: 8/5/2011
Local: Teatro Castro Alves - Sala Principal
Endereço: Praça 2 de julho, s/n
Horário: 20h
Ingressos: No local
Valor: R$40 (inteira)
Site:
www.tca.ba.gov.br

Mais Informações:

Quem quiser fechar o Dia das Mães dando boas gargalhadas não pode perder “7 Conto’, com o ator Luís Miranda. Desde 2006 em cartaz, o espetáculo já foi aplaudido por mais de 355 mil pessoas e, só em Salvador, de setembro de 2010 a fevereiro deste ano, foram quase 25 mil espectadores. Esta é a última oportunidade de mães, pais e filhos verem Queixada, o guardador de carros doublé de filósofo; Dona Edite, a líder comunitária sem papas na língua; Carolaine, a garotinha negra sem ícones na TV; o rapper ricaço MC Dollar; o sensacionalista apresentador do programa Brasil Elite, Detona, além de se divertir com as viagens mundo afora da socialaite Sheila e com as trapalhadas da Vovó Arminda.

Gente, como diz Dona Edite... esta peça é "perdívi"!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Diálogo? Para quê?



Há uns três dias, Paulo Freire chamou minha atenção de modo muito especial dizendo que “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, as pessoas se educam entre si, mediatizadas pelo mundo”. Certamente, tal afirmação ficou ecoando em minha mente. E isso, a tal ponto que comecei a analisar e (re)pensar meu processo formativo, minhas experiências e expectativas com a educação, (in)certezas, possibilidades etc.. 

Hoje, uma sexta-feira um tanto cansativa, passando pela biblioteca da Faced, encontrei um livro e, nesse livro, verifiquei um outro pensamento de Freire, o qual complementa aquela afirmação inquietante que mobilizou meu pensar no início da semana. Na obra, em referência ao diálogo e sua importância na educação, Freire afirma que "não se pode pensar pelos outros nem para os outros nem sem os outros. A significação do diálogo está no fato de que os sujeitos dialógicos crescem um com o outro. O diálogo não nivela, não reduz um ao outro. Ao contrário, implica um respeito fundamental dos sujeitos nele engajados" (FREIRE, 1992, p. 117-118).  

Nossa! Como é interessante essa relação eu-outro-mundo... Mas por que muitos professores, não todos, mas a maioria, não contemplam essa dimensão da educação? Por que pensam que somente eles podem ensinar? Por que não consideram o exercício da dialética em suas práticas pedagógicas? Enfim, comecei a "pedafiloletrar"! E continuo nesse exercício...
   
No momento, minha intenção não é desenvolver aqui uma extensa análise acerca do assunto, até porque, hoje é sexta-feiraaa... rsrs Ufaa! Meu intuito é, portanto, compartilhar essa reflexão inicial e, quem sabe, em outras postagens dar continuidade, falar um pouco mais sobre a Pedagogia Libertadora.

A propósito, a referência do livro:

ABRAMOVAY, Miriam. UNESCO. Escolas inovadoras: experiências bem-sucedidas em escolas públicas. Brasília, D. F.: UNESCO, 2003.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Traduzir-se - Ferreira Gullar


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
De Na Vertigem do Dia (1975-1980)

Sonhos de menina - Cecília Meireles


 

A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?

Sonho
risonho:

O vento sozinho
no seu carrinho.

De que tamanho
seria o rebanho?

A vizinha
apanha
a sombrinha
de teia de aranha . . .

Na lua há um ninho
de passarinho.

A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?

Rede: o que é isso?

 

Algumas pessoas podem perguntar: “o que é exatamente uma rede de computadores?” Vamos responder através de um exemplo. Imagine que você é funcionário de uma grande empresa e está trabalhando num documento em seu computador. A certa altura, precisa de dados do setor de contabilidade, que fica no terceiro andar. Mas você trabalha no vigésimo andar e, convenhamos, seria pouco prático ir até lá pegar as informações. Sem falar que seu chefe pediu o documento com urgência!
É para isso que serve a rede. Através dela, você pode acessar o computador do setor de contabilidade sem sair da sua sala (isto é, remotamente, a distância). A rede permite, portanto, que se compartilhem informações. Terminado o trabalho, você quer imprimi-lo, mas não tem uma impressora ligada ao seu computador. Mais uma vez você utiliza a rede, que permite que uma impressora seja usada por diversos usuários. Neste caso, a rede possibilita que se compartilhem recursos.
Agora podemos dar a definição: uma rede de computadores é um conjunto de computadores interligados capazes de compartilhar informações e recursos. Essas redes são chamadas de redes locais, ou LANs (Local Area Networks).
No mundo todo existem milhares de redes de computadores: empresas, bancos, escolas, universidades, institutos de pesquisa, hospitais, órgãos de governo, etc., a maioria deles tem sua própria rede. Mas antes da Internet, cada rede estava restrita aos limites da própria organização. Assim, por exemplo, dados armazenados num computador de uma universidade só podiam ser acessados no próprio computador ou através da rede dessa universidade. Pessoas de fora não tinham como acessá-lo. Essas redes existiam isoladas umas das outras. Às vezes havia interligação entre universidades, ou entre empresas, de uma mesma cidade ou região. Formavam redes metropolitanas ou redes regionais.

Filme: Piratas Do Vale Do Silício

Na última aula da disciplina EDC287, Educação e Tecnologias Contemporâneas, foi-nos oportunizado assistir este filme. A experiência foi extremamente enriquecedora, pois a obra fílmica trata de um assunto que eu, até então, não conhecia a fundo: o surgimento dos computadores pessoais e das grandes empresas de hardwares e softwares.


Será que conseguimos imaginar um mundo sem celulares, computadores e MP3? Talvez até consiga, visto que tudo isto ainda é muito novo e a maioria os adultos de hoje nasceram num tempo onde o que temos em abundância em qualquer lugar era algo raríssimo de vermos antes dos anos 90.
Entre pontos negativos e positivos da revolução tecnológica, não podemos deixar de destacar a fundamental importância na inclusão de um apetrecho que passaria a fazer parte na vida de qualquer pessoa: o PC (Personal Computer, ou Computador Pessoal). Hoje o computador pessoal é acessível para as diferentes classes. Podemos, inclusive, encontrar em diversas famílias não só um PC, mas também notebooks e netbooks para exemplares diferentes da sociedade.
Muito da popularização do PC é graças aos esforços de duas empresas de tecnologia: a Apple (conhecida pelo iPod e pelo iPhone) e a Microsoft (conhecida pelo Windows e pelo Office). Conhecer o início destas duas empresas e, principalmente, como surgiu a ideia por trás de seus fundadores (Steve Jobs e Bill Gates) é realmente um grande capítulo a ser incluido nos livros de história vindouros: traição, plágio, intrigas, persuassão e conflitos são os ingredientes que fizeram estas duas empresas decolarem para níveis estratoféricos.
O filme Piratas do Vale de Silício retrata bem a ascensão do império destes dois gigantes no mundo virtual. Nele observamos um jovem e ambicioso Bill Gates, calouro na Universidade de Harvard, junto com o seu colega Paul Allen desenvolverem uma linguagem chamada “Basic” para os primeiros computadores pessoais conhecidos como Altair 8800.
Paralelamente observamos um jovem hippie e temperamental chamado Steve Jobs, juntamente com seu colega Steve Wozniak, que havia iniciado o projeto Apple I na Universidade de Berkeley, largarem tudo para fundar uma empresa na garagem de Jobs chamada Apple. Algo interessante é que Wozniak na época trabalhava para a HP que, por contrato, exigia que seus funcionários apresentassem todas as ideias para si. Entretanto, quando Wozniak apresentou o seu Apple I, eis a resposta do executivo da HP: “Meu filho, quem é que vai querer um computador dentro de sua casa?”. Me pergunto como será que estes executivos conseguiram curar a dor de cabeça que surgiu posteriormente ao sucesso da Apple.
Outro ponto de destaque é o marco onde a Microsoft deixa de ser uma empresa pequena para tornar-se uma empresa multimilionária: quando o Sr. Gates vende um sistema operacional (o DOS) que ele não tinha a IBM e ainda mantém no contrato que o sistema continua sendo propriedade da Microsoft, que poderia vender o sistema para quem quisesse. A IBM aceitou o contrato, e como não tinham nada, Bill Gates e companhia correram até um conhecido e compraram este sistema operacional por apenas U$ 50.000,00. Ou seja, Bill Gates não tinha nada e ficou rico sem criar coisa alguma!
Mas o mais interessante mesmo são os cruzamentos entre Steve Jobs, que se considerava intocável e tinha uma série de problemas pessoais, e Bill Gates, uma víbora persuassiva. Enquanto Jobs copiou a interface gráfica e a utilização do mouse de um projeto da Xerox, a Microsoft copiou a interface gráfica e o mouse da Apple traindo a confiança de Jobs para sempre.
Porém, em nome dos negócios, alianças são feitas e desfeitas numa grande disputas pela maior fatia do mercado. Enfim, é um filme bem bacana que além de mostrar o início de tudo, mostra também característica pessoais natas que viriam a transformar estas personagens em celebridades do mundo corporativo.
Este invento foi exposto e apesar dos receios, os jovens foram bem sucedidos, recebendo inclusive encomenda de 50 microcomputadores como o que apresentaram. Todo trabalho deles ainda era na garagem dos pais de um deles.
A idéia de um microcomputador pessoal apresentada à HP não foi aceita, questionada sobre para que serviria e quem iria querer um computador em casa. Os jovens receosos recebem de Mike Markulla um investimento de 250 mil dólares para que continuassem a trabalhar no projeto dos micros, foi a salvação deles, já que não conseguiam capital para continuar o negócio.
Quase ao mesmo tempo, a Microsoft que possuía sede em um quarto de hotel trabalhava com um software (Microsoft Basic), ao contrário da Apple que trabalhava com hardware. Bill Gates, que não recebeu atenção de Jobs na feira de exposição, consegue um contrato de aluguel de seu sistema operacional (ainda inexistente) com a IBM.
O pensamento dos lideres da IBM era de que se ganha com hardware e não com software. Em tempos atuais, isso é totalmente inverso. Gates e seus parceiros Allen e Balmer precisavam agora de um sistema operacional; Pall Allen consegue comprar o Q-DOS da Seattle Computer por 50 mil dólares e com algumas modificações surge o MS-DOS.
Bill Gates diante de sua lábia, representado pela Microsoft, consegue trabalho na Apple, ocorre que eles realizam uma nova cópia sobre a Apple, lançando então o Windows. Diante da arrogância de Jobs, ele se traiu, mostrando o ouro ao pirata. Quando Jobs descobre já é tarde.
Finaliza-se o filme com o que se tornou a vida de cada personagem. Jobs com uma família consolidada e de volta à Apple após ser desligado, Wozniak ensinando informática a crianças e Gates figurado como o mais rico do mundo.
No bem estruturado desenvolver da narrativa, percebe-se alguns pontos relevantes: [1] o interesse e a busca por ver realizados projetos; [2] o tratamento e a relação entre empregado, empregador e cliente; [3] a visão de mundo e futuro do mercado e [4] a batalha por um produto exclusivo e superior – vantagem competitiva.

Referência: http://www.artigonal.com/tecnologia-artigos/relatorio-do-filme-piratas-do-vale-do-silicio-1757903.html
Quando você era bem pequeno...

eles gastavam horas lhe ensinando a usar talheres nas refeições... 

ensinando você a se vestir, amarrar os cadarços dos sapatos, fechar os botões da camisa.


Limpando-o quando você sujava suas fraldas lhe ensinando a lavar o rosto a se banhar a pentear seus cabelos...

lhe ensinando valores humanos... 


Por isso...


 quando eles ficarem velhos um dia... e seria bom que todos pudessem chegar até aí (não preciso explicar... não é?)

quando eles começarem a ficar mais esquecidos e demorarem a responder... 


não se chateie com eles... 


quando eles começarem a esquecer de fechar botões da camisa, de amarrar cadarços de sapato...


quando eles começarem a se sujar nas refeições... 


quando as mãos deles começarem a tremer enquanto penteiam cabelo...


por favor, não os apresse... porque você está crescendo aos poucos, e eles envelhecendo...


basta sua presença... sua paciência... sua generosidade... sua retribuição...


para que os corações deles fiquem aquecidos...


se um dia eles não conseguirem se equilibrar ou caminhar direito... 


segure firme as mãos deles e os acompanhe bem devagar respeitando o ritmo deles durante a caminhada... da mesma forma como eles respeitaram o seu ritmo quando lhe ensinaram a andar...


fique perto deles... assim como...


eles sempre estiveram presentes em sua vida, sofrendo por você... torcendo por você...


E vivendo “por você”.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO”

(Max Gehringer)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Horizonte – Betty Vidigal


O horizonte é o mesmo.
Mas há esta nova claridade que me sufoca o olhar.
Caminho a esmo.
Hoje não quero pensar.


É que mudou a lua,
e tudo se transforma.
Cobre-se a Terra de uma terra nova
e as marés se tornam violentas.


Somente eu vou lenta, lenta.
Concentrada em não chorar.


Não que tenha perdido a alegria
por completo:
o caminho não havia de sempre reto
e eu já sabia disso muito antes
de decidir te acompanhar.


Mas agora, a noite me tomou.
E eu me tornei, subitamente,
o que não sou:
sem norte, sem destino.
O que se extraviou,
de mim, por esta estrada?
Eu vinha te seguindo e não te vejo mais.
E estava tão habituada.


O horizonte é o mesmo.
Só lhe falta
a longa silhueta que eu seguia
e contemplava.


É que mudou a lua, e tudo se transforma.
Somente a linha do horizonte permanece inalterada.
 
http://docecomoachuva.blogspot.com/search/label/Betty%20Vidigal

Filme O Contador de Histórias



O filme se baseia na trajetória real do pedagogo, escritor e contador de histórias Roberto Carlos, de filho de família paupérrima, interno da Febem e menino de rua a homem bem sucedido, pai adotivo de um bocado de crianças, educador permanente para a cidadania. Como num conto de fadas, a história de Roberto Carlos teve sua fada madrinha: a francesa Marguerite Duvas (interpretada por Maria de Medeiros), para quem o garoto, de objeto de pesquisa, se transforma em amigo e protegido. Marguerite fez de tudo para tirar Roberto Carlos das ruas e fazê-lo tomar consciência de direitos e obrigações.

Por incrível que pareça, a maior falha é exatamente a força de Marguerite, não por falha da atriz, mas da construção da personagem pelo próprio roteiro. O contador de histórias baseia-se nas memórias de Roberto Carlos. E para ele, ela foi quase uma santa. Talvez tenha sido; mas de um ponto de vista dramatúrgico, fica difícil ao espectador acreditar na possibilidade de alguém tão perfeito, tão bom, tão desprovido de ódio, raiva, dúvida.

A falha fica insignificante frente à capacidade que O contador de histórias tem de emocionar os espectadores. É, talvez, a melhor manifestação produzida no Brasil do filme “edificante”, aquela narrativa de história exemplar que pretende levar o público a algum tipo de mobilização. O diretor Luiz Villaça trabalha com uma linguagem simples, com boas chances de se comunicar com o espectador comum. Conta, antes de tudo, com a força de seu próprio enredo para fazer isso.

No processo, acaba dando pinceladas num retrato que pode ajudar as pessoas a conhecer o Brasil. A história de Roberto Carlos começou na época da ditadura militar, quando o governo autoritário propunha, como parte de seu projeto de “Brasil grande”, instituições que fossem capaz de internar e educar os filhos das famílias pobres, como se o Estado fosse mais apto que pais e mães para superar a pobreza e a marginalidade crônicas.

Era um período em que esquerda e direita apresentavam projetos totalizadores de transformação do mundo inteiro. Roberto Carlos foi salvo pelo projeto oposto: onde a megalomaníaca estrutura assistencial do poder público fracassou, ela se dispôs a redimir apenas uma criança. Como, mais tarde, seu filho adotivo, ainda menino, não vai lutar para enfrentar todos os marginais de rua, apenas para recuperar o isqueiro que um deles roubou. E, agora adulto, não anda por aí pregando grandes revoluções – mas revolucionando, uma a uma, a vida das crianças a quem conta histórias, a quem ajuda a transformar em cidadãos. Segue trailer:



domingo, 1 de maio de 2011

Poema de Maio - José Afonso

(pela pura beleza das palavras, sem mais)

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar
Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar
Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

http://amata.anaroque.com/arquivo/2004/05/poema_de_maio_pela_pura