A intenção principal deste blog é a difusão do conhecimento, o compartilhar de saberes e experiências. Percorrendo o universo da educação, da linguagem e, enfim, do conhecimento, apresenta uma ousada mistura de Pedagogia, Filosofia e Letras. Ah! Essas "danadas" são a minha paixão, produzem em mim experiências exponencialmente deleitosas e, também, muito desassossego... Fique à vontade para conhecer, comentar e seguir este cantinho... SEJA BEM VINDO(A)!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O teu riso - Pablo Neruda
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
http://www.fabiorocha.com.br/neruda.htm
Experiências de Vida e Formação - Marie-Christine Josso
Uhuuu! =D
Após um tempinho de "abandono", voltei, enfim, a postar unas cositas pedafilosofantes... rsrs Durante esse período, novos horizontes foram vislumbrados, muitos sorrisos se me sorriram... :) A exemplo, o ingresso na pesquisa (PIBIC/CNPq) com o Projeto Tapiramutá/FEP, na UFBA. Dentre a rica bibliografia da Pesquisa/Projeto, encontrei uma obra ímpar, que muito me chamou atenção. Como não poderia deixar de compartilhar, segue abaixo indicação, para quem trabalha com a pesquisa auto-biográfica na formação de professores em exercício e para quem não se aguenta de curiosidade (epistemológica)...
Socorro Aparecida Cabral Pereira
Mestre em Educação
Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB
Marie-Christiane Josso é professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra. Socióloga e antropóloga, é doutora em Ciências da Educação, com uma tese intitulada Chaminer vers soi (Caminhar para si), publicada em 1991. É membro – fundador da “Associação das Histórias de Vida em Formação” (ASIHVIF) e é regularmente convidada a ministrar cursos em instituições públicas e privadas, ligadas à Educação e Saúde, na Suíça, França, Canadá, Portugal e Brasil, desenvolvendo sua abordagem de formação experiencial.Em Experiências de Vida e Formação, a professora Josso apresenta-nos uma abordagem de formação baseada na descoberta e valorização da singularidade do sujeito. Traz a formação experiencial como um dos conceitos chave das Histórias de Vida em Formação, destacando a importância da narrativa neste percurso, pois ela permite explicitar a singularidade e perceber o caráter processual da formação e da vida, articulando espaços, tempos e as diferentes dimensões de nós mesmos, em busca de uma sabedoria de vida.
O livro encontra-se organizado em doze capítulos, ao longo dos quais Josso busca de acordo com uma abordagem fenomenológica, compreender como as pessoas se formam, rompendo com uma concepção de formação centrada apenas nas dimensões técnicas e tecnológicas. Os doze capítulos foram agrupados em três partes principais: a primeira retratando a importância da formação no centro das narrativas de vida, a segunda trazendo as histórias de vida como metodologia de pesquisa-formação e por último, a discussão sobre a contribuição do saber biográfico nos dispositivos de formação.
A primeira parte subdivide-se em três capítulos. O primeiro destaca as experiências ao longo das quais se forma identidades e subjetividades. Neste, a autora tenta demonstrar que a formação precisa ser trabalhada do ponto de vista do aprendente em interações com outras subjetividades. Discussão esta que é contemporânea, visto que a maioria dos programas de formação limita-se às dimensões técnicas e tecnológicas, necessitando assim de uma compreensão mais profunda dos processos através dos quais as pessoas se formam.
Após o primeiro capítulo do livro, a autora centra sua discussão na experiência formadora, destacando a importância de um trabalho reflexivo sobre o que se passou e sobre o que foi observado, percebido e sentido nos percursos de formação. Articulando experiência e formação, Josso destaca três modalidades de elaboração da experiência. A primeira que é “ter experiência” diz respeito a vivências de situações e acontecimentos que se tornaram significativos, porém sem termos provocado. O “Fazer experiência” relaciona-se às vivências de situações e acontecimentos que nós próprios provocamos. E o “pensar sobre as experiências” diz respeito a um conjunto de vivencias que foram sucessivamente trabalhadas para se tornarem experiências.
Ainda nos capítulos três e quatro, a autora nos alerta que o conhecimento de si mesmo não está relacionado apenas a compreensão de um conjunto de experiências ao longo da vida e sim a tomada de consciência de que este reconhecimento de si mesmo como sujeito, permite encarar o itinerário de uma vida. De acordo com as pesquisas desenvolvidas por Josso, destacam-se quatro buscas nas quais os autores dizem ter se empenhado ao longo da vida: a busca da felicidade, a busca de si e de nós, a busca de conhecimento e a busca de sentido.
Na segunda parte do livro, nos capítulos cinco e seis a autora relata a metodologia vivenciada na pesquisa formação, alertando-nos para o fato de que cada etapa da pesquisa é uma experiência a ser elaborada para quem nela estiver empenhado em participar. Na introdução do trabalho com as narrativas é apresentada à proposta e os caminhos intelectuais que deram origem às opções teóricas das autoras. Em seguida, na fase de elaboração da narrativa, cada participante expõe oralmente e escreve a sua narrativa. A terceira etapa caracteriza-se como fase de compreensão e interpretação das narrativas escritas, onde cada participante é convidado a apresentar a sua narrativa e a apropriar-se da narrativa do outro. O texto se processa demonstrando o poder transformador das narrativas de vida centrada na formação à luz de diferentes papéis desempenhados na sua construção e interpretação. Para a autora, o trabalho com a narrativa possibilita a passagem de uma tomada de consciência da formação do sujeito para a emergência de um sujeito em formação, possibilitando a reflexão critica sobre o itinerário experimental e existencial.
No capitulo VII - Caminhar com: interrogações e desafios postos pela pesquisa de uma arte de convivência em histórias de vida, a autora traz a discussão sobre a importância do caminhar para si como projeto de vida e da tomada de consciência da subjetividade. Figuras antropológicas como o amador, ancião, balseiro e animador são destacadas por Josso nas diferentes etapas do processo de formação. A autora compreende que para o caminhar com os outros, faz-se necessário um saber – caminhar consigo em busca de um saber viver. Assim, no capítulo oito é apresentado o conceito de experiência fundadora, como uma experiência maior que orienta o projeto de procura de uma arte de viver. No decorrer do texto,a autora qualifica sua proposta de pesquisa como pesquisa – formação, argumentando que na perspectiva desta abordagem, os resultados da pesquisa estão intimamente ligadas à qualidade das aprendizagens iniciadas ou aprofundadas pelos participantes no processo de formação.
Na terceira etapa do livro, a autora discute as contribuições do saber biográfico para a concepção de dispositivos de formação. Inicia o capítulo nove, alertando-nos sobre o choque da gestão da temporalidade sociopedagógica coma gestão da temporalidade sócio-individual. A autora constrói a sua crítica sobre o processo de aprendizagem, alertando-nos que neste percurso, precisamos desaprender para aprender – a. Assim a temporalidade da formação verbalizada e socializada numa narrativa de vida é o tempo de realizar uma tomada de consciência e de fazer um trabalho de integração e de subordinação que pode levar alguns minutos, algumas semanas, alguns meses, alguns anos ou até mesmo toda uma vida. Ao longo do capítulo dez Josso chama a atenção para a importância do seminário de “Histórias de Vida e Formação” tendo como foco a construção de pensamentos sobre si e sobre o outro. Destaca o distanciamento, a implicação, a responsabilização e a intersubjetividade como categorias importantes no processo da formação.
A discussão sobre o percurso de aprendizagem é apresentada por Josso no capítulo onze com a temática: formar-se quando adulto: desafios e riscos apostam recursos e dificuldades. A autora atrela o ato de aprender ao ato de pesquisar, pois acredita que este possibilitaria aos aprendentes o desenvolvimento da sua criatividade, habilidade, capacidade de avaliação, comunicação e negociação. Descreve o percurso de aprendizagem em três fases: iniciação, integração e subordinação.
Os projetos entre aberturas à vida e suportes imaginários de nossa incompletude, é a temática apresentada no capítulo doze onde a autora destaca a antecipação e a criatividade como noções subjacentes que permitem captar o lugar, o sentido e o estatuto epistemológico da noção de projeto.
Sem dúvida, a leitura deste livro fornecerá, substancialmente, aos profissionais interessados na formação de professores, a reflexão centrada na bagagem experiencial através da narrativa, desde que considerem o processo de formação como um processo de autoformação, hetero-formação e eco-formação.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Soneto de Camões
Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Sou e ponto - Juliana Santos
Se arteira ou artista
não sei bem quem sou.
Se flor do campo lá na beira
percebida
ou não
nesse chão
tua brincadeira
imensidão...
Será que sou rima
ser que cativa
encanto
um sonho risonho
ou canto encantador?
Um exalar de alegria
frescor de saudade
aquela poesia
suavidade
ou o teu amor?
Ah! descrever-se é limitar-se...
Só sei que sou.
E ponto.
Ímpar ou ímpar - Paulo Leminski

Pouco rimo tanto com faz.
Rimo logo ando com quando,
mirando menos com mais.
Rimo, rimas, miras, rimos,
como se todos rimássemos,
como se todos nós ríssemos,
se amar (rimar) fosse fácil.
Vida, coisa pra ser dita,
como é fita este fado que me mata.
Mal o digo, já meu siso se conflita
com a cisma que, infinita, me dilata.
Este e outros poemas podem ser encontrados em: http://docecomoachuva.blogspot.com/ uma verdadeira fonte que transborda poesia e encantamento...
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Mariposas lilases - Roseana Murray
no meio-fio da vida
e que me escaparam das mãos
de uma maneira ou de outra
como um pássaro escapa
como um sopro escapa
de dentro dos ossos
voltem me enlacem me envolvam
me ajudem a suportar
o peso quieto das palavras
o rumor invisível das águias
por que se perderam de mim
essas doces pessoas?
tragam de volta seus rostos
como frutas de seda numa bandeja
como mariposas lilases
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Mary Arapiraca, a rainha das palavras!
Hoje meu dia foi pura poesia...
Na foto, Mah, a Rainha e eu... lindas! :)
Mesmo não fazendo parte da turma de Estágio 1 com a professora Mary Arapiraca, tal como uma formiguinha enxerida (risos) lá fui eu, assistir a primeira e, hoje, a última aula do semestre. Fui, pois, para completar o ciclo... como sugeriu Mah. E amei!
Esse momento, certamente, deveria constar neste espaço de construção do conhecimento que tem, por natureza, a suavidade da poesia.
Na aula com a Rainha passei por bosques, campos e jardins que exalavam alegria, luz, vigor e muita, muuuita poesia...
Com seu aprazível e cativante olhar, lá vem a Rainha a me dizer: "A vida não é aquilo que a gente viveu, mas é aquilo que a gente se lembra..." (Gabriel Garcia Marquez).
Como que em um transbordar da alma, a Rainha fez ainda ecoar os pensamentos de Saint-Exupéry, em Terra do Homens...
Ah! Rainha, como não fazer parte desse seu reino encantado...?
Quem é a Rainha e qual é o seu reino???
Logo explico: A Rainha é Mary e seu reino, as palavras.
Mah, obrigada pelo convite, pois já estava indo embora da facul!
Mary, agradeço o momento... Certamente, deste, sempre me lembrarei!
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Dicionário de sentimentos
RISO:
O riso é uma filosofia.
Muitas vezes o riso
é uma salvação.
Eça de Queiroz
quinta-feira, 30 de junho de 2011
A Poesia - Miguel Reale
A poesia é pena sem castigo
ou remorso sem sombra de pecado,
um amor solidário a toda gente
que dói desde a medula de teus ossos.
Poesia é um cantinho solitário
ou espuma de existência transbordante,
uma pluma que beija o cotidiano
ou uma chaga de luz não sei de onde.
Poesia é o caminho para o exílio
com saudade da terra de partida
quanto mais perto a terra prometida,
mas é também o derradeiro auxílio
que nos torna melhores de repente
ao percebermos que ela é a semente.
ou remorso sem sombra de pecado,
um amor solidário a toda gente
que dói desde a medula de teus ossos.
Poesia é um cantinho solitário
ou espuma de existência transbordante,
uma pluma que beija o cotidiano
ou uma chaga de luz não sei de onde.
Poesia é o caminho para o exílio
com saudade da terra de partida
quanto mais perto a terra prometida,
mas é também o derradeiro auxílio
que nos torna melhores de repente
ao percebermos que ela é a semente.
O professor que odeia o livro
O livro é o campo do intelectual. Não é o campo do estudante que, enfim, é transformado pelos professores, quando muito, no soldado, no trabalhador fabril e no leitor de twitter. O estudante é tirado, pelo professor, da estrada que poderia transformá-lo em um intelectual ou, ao menos, em uma pessoa capaz de autonomia de julgamento. Vítima de pequenos textos em forma de cópia Xerox, o professor tornou-se alguém que perpetua a cultura da pressa e do acúmulo, tornando seu aluno igual a ele próprio, antes um meio leitor que um leitor.
Esse professor é um inapto. Mas o pior é que ele é um produtor de inaptos. Há muito ele caiu no conto de uma das vias da modernidade, a que confundiu rapidez com objetividade. No campo de batalha, o soldado que arma seu fuzil rapidamente e de modo mais veloz ainda tem o inimigo sob mira, recebe o nome de um “atirador objetivo”. De modo menos dramático é o caso do “jogador objetivo”, que finaliza bem e reduz o jogo todo a algo muito chato caso não exista o gol. Essa noção de objetividade desliza erradamente para a atividade do leitor e, então, qualifica o que é o “leitor objetivo”. Este, desse modo, é o que “vai direto ao ponto” no texto e não sucumbe às diversas possibilidades interpretativas. O que deveria ser uma virtude do bom leitor, que é justamente a capacidade de sucumbir às diversas possibilidades interpretativas, indo e vindo no texto, parando para repensar e fazer conexões próprias, agora é o comportamento condenado.
Nessa cultura que a filósofa Olgária Matos chama de o “vamos direto ao ponto”, as palavras subjetivo e objetivo perdem sua melhor significação. Subjetivo não é mais próximo de reflexivo e, sim, de confuso e lerdo. Objetivo continua a ser quase sinônimo de verdadeiro, mas não pela sua qualidade de independência e, sim, pela sua simplicidade e rapidez. Essa confusão de conceitos que criou o leitor de nossos tempos, o leitor não intelectual, é comemorada então pela universidade que abriga o professor inapto.
Esse professor começou sua carreira sem perceber que iria se tornar o que se tornou. Ele não se matriculou em um curso para ser imbecil, é claro. Mas ele não foi suficientemente esperto para escapar da tarefa que ganhou nos primeiros dias de aula, talvez bem antes da universidade, tarefa esta que ele, depois, passou a repetir com seus alunos candidatos a aleijões mentais. Foi lhe dado, logo no início de sua vida escolar, antes a tarefa de resumir textos e colocar “as idéias principais” que a tarefa de compreender o texto e expandi-lo por meio da imaginação, criação e busca de erudição. Assim, de resumo em resumo, no afã da atividade de tornar tudo menor, mais rápido e curto, ele acabou encurtando, verdadeiramente, sua inteligência. Ficou curto mentalmente. Nada lê para criar. Tudo lê para fichar. Até seu mestrado e doutorado foi feito assim, por meio de “fichamentos”. Ele até chegou a ler um manual de metodologia científica que aconselhava o fichamento! Ele se tornou, assim, uma pessoa limitada se sem a menor idéia do que é ser um leitor. Ganhou um “Dr” na frente do nome, que o legitimou nessa atividade que ele acredita que se encaixa na universidade perfeitamente. Exibe esse seu hábito de pegar atalhos, que o torna um símio, e é assim que se comporta: exibe seu método de “fichamento”, resumo, e leitura do crime do Xerox como o macaco exibe o pênis quando vê a fêmea humana.
Paro por aqui, pois já ultrapassei o tanto de linhas que os alunos desse professor conseguem ler. Eu disse os alunos, ele mesmo, o dito professor, parou bem antes, no segundo parágrafo. Esse tipo de professor se tornou um ejaculador precoce. Ele não leva adiante nada que ultrapasse uma lauda, e mesmo assim, às vezes não termina nem mesmo uma lauda uma vez que, precisando de dicionário, não o apanha na estante e tem preguiça de consultar o da Internet, aberta na frente dele.
Sobre leitura e sobre esse tipo de adorador do resumo, veja o vídeo aqui.
domingo, 26 de junho de 2011
Caixa mágica de surpresa - Elias José
Um livroé uma beleza,
é caixa mágica
só de surpresa.
Um livro
parece mudo,
mas nele a gente
descobre tudo.
Um livro
tem asas
longas e leves
que de repente,
levam a gente
longe, longe.
Um livro
é parque de diversões
cheios de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.
Um livroé uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata no mar,
um foguete perdido no ar,
é amigo e companheiro.
http://docecomoachuva.blogspot.com/search?q=caixa
terça-feira, 21 de junho de 2011
Programa Salto para o Futuro na Bahia
O vídeo abaixo traz importantes reflexões sobre:
Confira:
- Currículo Multirreferencial;
- Projeto Tabuleiro Digital em Irecê;
- Experiências de grupo de pesquisa na criação de jogos educativos;
- Curso de formação de professores em Moodle
- Entrevista com o professor Nelson Pretto;
- E muito mais...
Confira:
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Rancho das flores - Vinícius de Moraes
Entre as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre
De aroma florido
Mais lindo que toda as graças do céu
E até mesmo do mar
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre
De aroma florido
Mais lindo que toda as graças do céu
E até mesmo do mar
Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É a flor dos amantes
É a rosa-mulher
Que em perfume e nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da hortênsia
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer
Não há mais formosa
É a flor dos amantes
É a rosa-mulher
Que em perfume e nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da hortênsia
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer
E reparem no cravo
O escravo da rosa
Que flor mais cheirosa
De enfeite sutil
O escravo da rosa
Que flor mais cheirosa
De enfeite sutil
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio da alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil
O martírio da alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil
Abram alas pra dália garbosa
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheio de cores gentis
E também para a hortênsia inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo macio e feliz
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheio de cores gentis
E também para a hortênsia inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo macio e feliz
Satisfeita da vida
Vem a margarida
Dos que têm paixão
E agora é a vez
Da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
Com a cor que é a do meu coração
Vem a margarida
Dos que têm paixão
E agora é a vez
Da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
Com a cor que é a do meu coração
E agora aqui temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e em prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Seu nome cantemos em verso e em prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor.
Uma rosa é uma rosa é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Poema-amar [à Mah] - Juliana Santos
Abaixo, meus versos simples...
Rimas que, de tão pobres, acabam ficando ricas.
As rimas-pobres-ricas.
Uns versos mais-que-brancos que, curiosamente, se tornam coloridos.
Todo esse esforço para, ao menos, tentar expressar um pouco do meu AMO à essa pernambucana arretada. MARCÍLIA é ela... Elane, pode ser também. Ou os dois nomes: Marcília Elane. Na verdade, para mim, ela é a Mah.
Ao longo do processo, nessa árdua jornada no curso de Pedagogia, temos construído uma história recheada de alegrias, respeito, motivação, etc. e, sobretudo, ética (que, creio eu, "passa bem perto" de nós... rsrs). E, esse construir tem valido tão à pena... Pensando nas experiências que compartilhamos até aqui e no "tudo que é seu todo", me veio esse (re) inventar, meu momento criativo.
Agora, deixarei minha voz infante um tanto quieta.
Cabe, assim, um silenciar "meu", para ouvir meu "eu poeta":
Este texto Poema-amar [à Mah] foi enviado por e-mail para a Mah.
Com a devida autorização, segue sua resposta, a reciprocidade.
"Ah!!Jú com lágrimas brotano de minha alma autorizo sua forma de amor para comigo, ainda mais quando se traduz de maneira poética, como tal poema.
Jú, conhecer-te apenas já fez minha caminhada valer muitooooo a pena!!!
Se tenho tanto amor, o que encontro em ti?!
A certeza de que amar vale a pena, que sou mais quando amo e me doar ao amor, ah!experiência única que me oportuniza encontrar tesouros como vocÊ!!!
Ter uma Juliana Santos em minha vida, faz toda a diferença. E de tanto querer, queremos juntas e dividimos de tudo um pouco!!
Eu
tu!"
Aí eu pergunto: tem outro jeito, senão, cumprir seu desejo, escrevendo para ela?
Obs.: A imagem, na cor lilás, com as corujinhas, dispensa comentários...
Rimas que, de tão pobres, acabam ficando ricas.
As rimas-pobres-ricas.
Uns versos mais-que-brancos que, curiosamente, se tornam coloridos.
Todo esse esforço para, ao menos, tentar expressar um pouco do meu AMO à essa pernambucana arretada. MARCÍLIA é ela... Elane, pode ser também. Ou os dois nomes: Marcília Elane. Na verdade, para mim, ela é a Mah.
Ao longo do processo, nessa árdua jornada no curso de Pedagogia, temos construído uma história recheada de alegrias, respeito, motivação, etc. e, sobretudo, ética (que, creio eu, "passa bem perto" de nós... rsrs). E, esse construir tem valido tão à pena... Pensando nas experiências que compartilhamos até aqui e no "tudo que é seu todo", me veio esse (re) inventar, meu momento criativo.
Agora, deixarei minha voz infante um tanto quieta.
Cabe, assim, um silenciar "meu", para ouvir meu "eu poeta":
Poema-amar [à Mah]
Fica assim não, coração
que tua dor es mi dolor
Seja!
Ames, te alegres...
Porque "a hora é a-go-ra!"
Não foi assim que me dissestes?
Pois, abre esse sorriso largo e irreverente
Beija!
Encantes, te lances...
Por que o que te prendes?
Nada
Tu só aPRENDES
Ora
Diga teu "Bom diia!"
não liges pra essa gente...
Mas eu, teu querubim,
de ti só quero um sim:
o sim querendo o hoje, o agora
Vão bora?!
Porque, na vida, nada de dor...
o gostoso mesmo dela, minha flor
é o todo no tudo!
é o todo no tudo!
é esse teu conjunto de "Mah", poema-amar...
para esse teu tudo de AMOR.
Este texto Poema-amar [à Mah] foi enviado por e-mail para a Mah.
Com a devida autorização, segue sua resposta, a reciprocidade.
"Ah!!Jú com lágrimas brotano de minha alma autorizo sua forma de amor para comigo, ainda mais quando se traduz de maneira poética, como tal poema.
Jú, conhecer-te apenas já fez minha caminhada valer muitooooo a pena!!!
Se tenho tanto amor, o que encontro em ti?!
A certeza de que amar vale a pena, que sou mais quando amo e me doar ao amor, ah!experiência única que me oportuniza encontrar tesouros como vocÊ!!!
Ter uma Juliana Santos em minha vida, faz toda a diferença. E de tanto querer, queremos juntas e dividimos de tudo um pouco!!
Eu
Marcília Elane
Isso explica o que me move. É também por isso que a poesia não me deixa, me inquieta. Aí eu pergunto: tem outro jeito, senão, cumprir seu desejo, escrevendo para ela?
Obs.: A imagem, na cor lilás, com as corujinhas, dispensa comentários...
terça-feira, 14 de junho de 2011
O Velho e A Flor - Vinicius de Moraes / Toquinho / Bacalov
Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor
Livros - Caetano Veloso
Composição : Caetano Veloso
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou o que é muito pior por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
Delicadeza - Roseana Murray
A alma é invisível
um anjo é invisível
o vento é invisível
o pensamente é invisível
e no entanto
com delicadeza
se pode enxergar a alma
se pode adivinhar o anjo
se pode sentir o vento
se pode mudar o mundo com alguns
pensamentos...
Livro - Uma Revolução Tecnológica
Vivemos na chamada Era Digital, onde a emergência e priorização de outros suportes de leitura têm-nos provocado questionamentos. O livro IMPRESSO, está sendo deixado de lado, esquecido? Será possível substituí-lo definitivamente?
Implicitamente, a proposta do vídeo abaixo é trazer essa problemática, para isso, apresenta o Livro como uma super revolução da tecnologia.
Segundo o vídeo, o livro, chamado "book", "é uma revolucionária rotura tecnológica, sem cabos, sem circuitos elétricos, sem bateria, sem necessidade de ligação. Compacto e portátil, "book" pode ser usado em qualquer lugar. Por não precisar de bateria elétrica, não precisa ser recarregado, podendo ser utilizado todo o tempo que se queira..."
Geralmente, vemos esse tipo de "propaganda" vinculada a iPhones, iPads, celulares, notbooks e outros suportes, considerados como alta tecnologia, contudo, não pensamos no livro a partir dessa leitura. Vejo nesse vídeo uma excelente interpretação da importância tecnológica do livro.
Vale a pena assistir e meditar:
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Venha ver o pôr-do-sol - Lygia Fagundes Telles
O que pode acontecer a um casal de ex-namorados durante um último encontro em um cemitério abandonado? Esse é o argumento do conto Venha ver o pôr-do-sol, de Lygia Fagundes Telles. Um dos melhores contos que já li... Ao concluir a leitura sempre dá vontade de recomeçar, pois é uma obra surpreendente, engenhosa e, deveras, enigmática.
"Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.
Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.
- Minha querida Raquel.
Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima
Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.
- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?
- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hem?!
- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo.
- Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal?
- Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?
Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?
Brandamente ele a tomou pela cintura.
- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.
Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.
- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus...Fabuloso, fabuloso!...Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...
(...)"
Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.
- Minha querida Raquel.
Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima
Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.
- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?
- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hem?!
- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo.
- Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal?
- Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?
Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?
Brandamente ele a tomou pela cintura.
- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.
Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.
- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus...Fabuloso, fabuloso!...Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...
(...)"
Para baixar o conto completo, acesse: http://saladeestudos.com/material/lygia-fagundes-telles-venha-ver-o-por-do-sol.pdf
domingo, 12 de junho de 2011
Máscaras - Menotti Del Picchia
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma!
Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho,
pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade
toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente,
se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:
Um sonho de Pierrot... E um beijo de Arlequim!
dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma!
Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho,
pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade
toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente,
se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:
Um sonho de Pierrot... E um beijo de Arlequim!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Girassois
A "flor da alegria" dá pistas sobre o como a imaginação ativa o cérebro. O girassol, considerado o símbolo da felicidade e a flor que Van Gogh pintava em momentos de otimismo, foi objeto de pesquisa em neurociências:
Olhar para uma imagem agradável ou apenas imaginá-la, ativa a mesma população de neurônios no cérebro. Isso pode indicar que, ao imaginarmos coisas belas e agradáveis, pode nos trazer as mesmas sensações do que ver estas coisas na vida real.
| Girassois - Van Gogh |
O que é Eudaimonia?
Scott Carson
Universidade de Ohio
Universidade de Ohio
De um modo estrito, o termo "eudaimonia" é uma transliteração da palavra grega para prosperidade, boa fortuna, riqueza ou felicidade. Em contextos filosóficos "eudaimonia" tem sido tradicionalmente traduzida simplesmente por "felicidade", mas muitos scholars e tradutores contemporâneos tentam evitar esta interpretação, uma vez que pode sugerir conotações que nada ajudam ao leitor acrítico. (Por exemplo, não se refere a um estado emotivo, nem é coextensional com a concepção utilitarista de felicidade, apesar de ambas as noções poderem, em alguns pensadores, contar como aspectos da eudaimonia.) Dado que a palavra é composta pelo prefixo eu- (bem) e pelo substantivo "daimon" (espírito), tem-se proposto em alternativa expressões como "viver bem" ou "florescimento". Mas o consenso mostrado é que "felicidade" é adequado se o termo for apropriadamente compreendido no contexto filosófico da antiguidade.
Aristóteles escreveu que todos concordam que a eudaimonia é o bem principal para os seres humanos, mas que há diferenças consideráveis de opinião quanto ao que consiste a eudaimonia (Ética a Nicómaco I.2, 1095a15-30). Na imagem de Sócrates apresentada por Platão nos primeiros diálogos socráticos, o protagonista adopta a perspectiva de que a eudaimonia consiste em viver uma vida justa, o que exige conhecimento, na forma de uma espécie de previdência (especialmente no Górgias). Nas obras posteriores (por exemplo, na República), Platão continuou a argumentar que a virtude é suficiente para a felicidade, e que os bens amorais não trazem eudaimonia (a chamada tese da suficiência).
Como é bem sabido, Aristóteles concordava que a virtude é uma condição necessária para a eudaimonia, mas sustentava que não é suficiente (a chamada tese da necessidade). Dessa sua perspectiva, a "eudaimonia" aplica-se mais apropriadamente não a qualquer momento particular da vida de uma pessoa, mas a uma vida inteira que tenha sido bem vivida. Apesar de a virtude ser necessária para uma vida dessas, Aristóteles argumentou que certos bens amorais podem contribuir para a eudaimonia ou impedi-la pela sua ausência. Há alguma controvérsia entre os scholars sobre como que Aristóteles caracterizou, ao final, a vida feliz, a vida marcada pela eudaimonia. Ao longo dos primeiros nove livros da Ética a Nicómaco, Aristóteles parece pensar que uma vida feliz é a que envolve centralmente a actividade cívica. As virtudes que caracterizam a pessoa feliz são em si definidas como estados da alma que resultam de certas interacções que têm lugar nas relações sociais. Todavia, no livro X, o argumento de Aristóteles, aparentemente, é que uma vida de contemplação do teórico (theoria) é o gênero mais feliz de vida, e a vida cívica até pode impedir este gênero de actividade (apesar de a vida privada de contemplação parecer pressupor a vida pública, dado que sem a vida pública para produzir bens e serviços, o filósofo é incapaz de viver em isolamento).
Onde Sócrates, Platão e Aristóteles concordam é na natureza objectiva da eudaimonia, o que os afasta nitidamente da moralidade popular do seu tempo. Numa famosa passagem do Górgias (468e-467a), Sócrates choca Pólo argumentando que quem pratica o mal, na verdade, fica em prejuízo relativamente a quem ele prejudicou, e que quem pratica o mal está condenado a ser infeliz até ser punido. A vítima do mal, em contraste, pode ser feliz ainda que seja vítima do maior sofrimento físico nas mãos de quem pratica o mal. O Górgias conclui com um mito sobre o destino da alma humana após a morte que torna claro que só o estado da alma, e não o estado físico do corpo, determina se alguém é feliz ou infeliz.
Apesar de Aristóteles não concordar que a felicidade não poderia, absolutamente, se esvair por conta do sofrimento físico, ele não pensava que os sentidos são decisivos para a felicidade. Pelo contrário, Aristóteles argumentou a favor de um padrão objectivo da felicidade humana, com base no seu realismo metafísico. Na Ética a Nicómaco (I.7), Aristóteles argumentou que a excelência humana deve ser interpretada em termos do que comummente caracteriza a vida humana (o chamado argumento funcional ou ergon). Este argumento funda-se claramente na sua doutrina da causalidade, segundo a qual qualquer membro de uma categoria natural se caracteriza por quatro causas: formal, material, eficiente e final. A causa final é inseparável da formal: ser uma certa categoria de coisa é apenas funcionar de um certo modo, e ter um certo gênero de função é apenas ser uma certa categoria de coisa. A função humana (ergon) encontra-se na actividade das nossas faculdades racionais, em particular a sabedoria prática (phronesis) e a ilustração (sofia). Dado que a actividade destas duas faculdades não é regulada por considerações subjectivas mas pelas restrições formais da própria razão, a excelência humana está determinada objectivamente: viver bem é viver uma vida caracterizada pelo uso excelente das nossas faculdades racionais, e esta excelência caracteriza-se pela aplicação bem-sucedida de regras gerais da vida virtuosa a situações particulares que exigem deliberação moral.
Aristóteles rejeitou perspectivas alternativas da felicidade por não estarem à altura do seu ideal (Ética a Nicómaco I.5, 1095b14-1096a10). A vida de honra política, por exemplo, reduz a felicidade ao grau de estima que os outros têm por nós, desligando assim a felicidade da operação da nossa própria função apropriada. Uma perspectiva mais popular equacionava a felicidade com o prazer, o que Aristóteles excluiu rapidamente por não distinguir a categoria natural dos seres humanos de outros animais que , enfim, também sentem prazer e que nele se baseiam como algo motivador na sua luta diária pela sobrevivência. Para Aristóteles, como antes para Platão, a perspectiva hedonista negligencia a função essencial da racionalidade humana: regular e controlar os apetites e desejos humanos, canalizando-os para actividades que, a longo prazo, melhor assegurem o florescimento humano. Na verdade, é precisamente estas regulação e controle que distinguem a sociedade humana de todas as outras formas de vida, de modo que há uma conexão íntima entre a excelência humana e a vida política. Esta conexão , contudo, está sujeita a uma certa tensão, dado que tanto Platão, na República, como Aristóteles, na sua vida de contemplação teórica, tornam a ordem social uma condição necessária da excelência humana, ao mesmo tempo que argumentam que a felicidade pessoal implica, em certo sentido, que nos desliguemos da comunidade em geral.
Os estóicos concordavam que a felicidade é o nosso fim último, pelo qual fazemos tudo o resto, e definiam-na como uma vida consistentemente vivida de acordo com a natureza. Não queriam apontar, com isto, apenas a natureza humana, mas a natureza do universo inteiro, do qual somos parte, e a ordem racional que ambos exibem. A razão prática exige assim uma compreensão do mundo e do nosso lugar nele, juntamente com a nossa aceitação resoluta desse papel. Seguir a natureza desta maneira é uma vida de virtude e tem como resultado um "bom fluir da vida", com paz e tranquilidade.
Os epicuristas também tomavam a eudemonia como o fim para os seres humanos, mas definiam-na em termos de prazer. Contudo, muitas das coisas que nos dão prazer têm consequências desagradáveis, que no cômputo geral perturbam a nossa vida, não nos fornecendo portanto a libertação das preocupações (ataraxia) nem a ausência de dor física (aponia) que caracterizam a verdadeira felicidade. Estes traços, pensavam, têm de ser assegurados pelo exercício da moderação, prudência e outras virtudes, que contudo não são valorizadas por si, mas apenas como meios instrumentais para uma vida de prazer e felicidade.
Esta forma de eudemonismo hedonista contrasta com o hedonismo dos cirenaicos, a principal excepção à afirmação de Aristóteles de que todos concordam que o mais elevado bem é a eudemonia. Versões incompletas do Aristipo tardio sugerem que o seu hedonismo envolvia dar livre vazão aos desejos sensuais (Xenofonte, Memorabilia 11.1.1-34), de modo a ser sempre capaz de desfrutar do momento, deitando mão ao que estava à mão (Diógenes Laércio 11.66). Mais tarde, os cirenaicos aperfeiçoaram esta posição de modo a procurar desfrutar por completo do prazer sensual sem sacrificar a autonomia nem a racionalidade. A sua concepção de prazer salientava os prazeres corporais, entendidos como um tipo de movimento (kinesis) ou o estado sobreveniente da alma (pathos). Por encararem tais estados transitórios como o mais elevado bem, os cirenaicos recusavam a perspectiva de que a eudemonia, um tipo de realização alargado e de longa duração, fosse o fim que devesse reger todas as nossas escolhas.
Bibliografia
- Ackrill, J. L. "Aristotle on Eudaimonia." Proceedings of the British Academy 60 (1974): 339-359.
- Aristotle. Nicomachean Ethics. Trad. Christopher Rowe. Oxford, U.K.: Oxford University Press, 2002.
- Annas, Julia. The Morality of Happiness. New York: Oxford University Press, 1993.
- Broadie, Sarah. Ethics with Aristotle. New York: Oxford University Press, 1991. Especialmente cap. 1, "Happiness, the Supreme End," e cap. 7, "Aristotle's Values."
- Cooper, John M. "Contemplation and Happiness: A Reconsideration." In Reason and Emotion: Essays on Ancient Moral Psychology and Ethical Theory, 212-236. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1999.
- Cooper, John M. "Intellectualism in the Nicomachean Ethics." In Reason and Human Good in Aristotle, 144-182. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1975.
- Diogenes Laertius. Lives of Eminent Philosophers. Trad. R. D. Hicks. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1972.
- Gosling, J. C. B., and C. C.W. Taylor. "Epicurus." In The Greeks on Pleasure, 345-364. Oxford, U.K.: Clarendon, 1982.
- Irwin, Terence. "Socrates: From Happiness to Virtue." In Plato's Ethics, 52-64. New York: Oxford University Press, 1995.
- Plato. The Collected Dialogues of Plato. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1963.
- Vlastos, Gregory. "Happiness and Virtue in Socrates'Moral Theory." In Socrates, Ironist and Moral Philosopher, 200-232. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1991.
- Xenophon. Memorabilia. Trad. Amy L. Bonnette. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1994.
Publicado em Encyclopedia of Philosophy, 2.ª ed., org. Donald M. Borchert (Macmillan Library Reference, 2005)
Assinar:
Postagens (Atom)
















.jpg)
